
Além da recuperação física para conseguir voltar a jogar depois das lesões no ombro direito e no tornozelo esquerdo, Adriano foi submetido no Corinthians a um processo para cuidar da saúde, prejudicada por excessos cometidos bem longe dos gramados. Em quase um ano no Timão, o Imperador fez um tratamento para regular os níveis de colesterol e ácido úrico, que se mostraram elevados desde sua chegada ao clube.
Os testes detectaram que o centroavante precisava regular o metabolismo como primeiro passo para a recuperação. Por isso, foi receitado a ele doses do composto Zyloric (nome genérico: Alopurinol), indicado para a redução das taxas de ácido úrico no organismo.
A grande concentração do ácido no corpo pode ser causada por obesidade, diabetes, má alimentação, ingestão de álcool ou hipertensão arterial. Como consequência, a pessoa passa a ter risco de desenvolver gota, artrite úrica, insuficiência renal crônica e cálculo renal.
– Antigamente, diziam que era a doença dos reis, ou seja, de pessoas que comiam e bebiam muito. Hoje, sabemos que é por causa do metabolismo alterado. Pode ser pelo álcool também, mas há pessoas que possuem o ácido úrico elevado e nunca beberam – disse a cardiologista Patrícia Oliveira, do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da USP.
Além disso, em um grau mais avançado, a alteração chega a enfraquecer os tendões, o que poderia explicar a lesão no calcanhar do pé esquerdo de Adriano, sofrida durante um treinamento sem tanta carga no CT Joaquim Grava, em abril de 2011. Mesmo voltando a jogar, o atacante permanecia em tratamento na fisioterapia.
– O ácido úrico estava alto e entramos com a medicação. Esse problema deixa os tendões mais rígidos e com uma propensão a se romper mais facilmente porque pode calcificar na forma de cristais – explicou o médico do Corinthians, Júlio Stancati, confirmando toda a medicação repassada ao atleta.
Outro obstáculo encontrado pelo corpo clínico corintiano foi combater o colesterol elevado, que pode aparecer em virtude de hábitos alimentares ruins, diabetes, doenças renais, do fígado e da tireoide ou ser genético. Sem o tratamento, o paciente fica vulnerável à doença coronária e enfartes do miocárdio por causa do acúmulo de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos.
– O excesso de bebida também pode aumentar o colesterol, principalmente o triglicérides. Se ele aumenta, o colesterol também sobe. Mas isso não é normal em atletas – ressaltou a cardiologista Patrícia Oliveira.
Alimentação e álcool, aliás, foram dois obstáculos para Adriano se recuperar plenamente no Corinthians. Mesmo com a dieta elaborada pela nutricionista do Timão . Ele só conseguiu evoluir consideravelmente quando ficou preso no CT Joaquim Grava sob os olhares da comissão técnica.
Em contato nos últimos dias, o departamento médico do Corinthians já informou ao corpo clínico do Flamengo que o atleta terá de seguir o tratamento. Há a possibilidade de ele ser operado novamente.
– A evolução nesses quadros depende da mudança no estilo de vida da pessoa. Álcool e medicação é uma associação ruim, principalmente porque usam o fígado como via de metabolização. Ele acaba sobrecarregado. Se faço algo para modificar, o quadro melhora. Ou então, (o tratamento) é para a vida toda – finalizou a médico
Twitter:@BarataGuilherme





























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